O assassinato de Júlio César

Até tu, Brutus! (Et tu, Brute?) Quantas vezes ouvimos esta famosa expressão? Proferida por Júlio César em seus últimos momentos. a frase se tornou sinônimo de surpresa diante da traição de uma pessoa próxima ou querida.

Imortalizado na peça de Shakespeare: Júlio César, assim como no cinema e literatura, o assassinato de César têm populado o imaginário popular como um dos mais trágicos e covardes assassinatos da Antiguidade.

Vamos agora entender melhor a conspiração que culminou com o assassinato de Júlio César, curiosidades sobre este acontecimento e como teve inicio as inúmeras guerras civis que marcaram a transformação da República Romana em Império.

 

 

O cenário

Havia em Roma duas correntes políticas: os Optimates (corrente que defendia os interesses da aristocracia) e os Populares (cujo nome já diz tudo). Esta corrente era a qual pertencia Júlio César. Vendo que o general conquistava cada vez mais influência e apoio popular, o aristrocrático Senado logo tramou derrubá-lo. Forças do Senado, lideradas por Pompeu Magno (ex aliado de César) enfrentaram César em batalhas na Espanha e na Grécia. César conseguiu a vitória contra seus inimigos, mas não foi fácil: foi uma guerra difícil e custosa para ambas as partes. Terminados os combates, César concedeu o perdão a maioria dos seus inimigos e e muitos honrarias e privilégios a muitos destes.

Essa aliás era uma marca registrada do líder: a clementia (clemência). A concessão de perdão a inimigos que se rendessem sem luta. Não bastando o perdão, César chegou a dar cargos importantes e honrarias a muitos dos inimigos que perdoou.

Figura com traje militar com a cabeça moderna de Júlio César (Museu Nacional de Nápoles / Itália)

Figura com traje militar com a cabeça moderna de Júlio César (Museu Nacional de Nápoles / Itália)

 

A habilidade política e militar de César, seguidas de suas sucessivas vitórias, fez com que César fosse acumulando amplos poderes. Seus poderes chegaram a tanto que se tornaram similares aos de um rei, e isso incomodava a muitas pessoas. Afinal, Roma havia expulsado seus reis centenas de anos antes e a ideia não agradava nem ao Senado e tampouco a população.

César tomava algumas ações, ou queria tomar, que desagradavam de modo geral, especialmente a aristocracia. Vamos citar algumas delas:

  • Distribuição de terras aos soldados aposentados – os aristocratas não queriam dividir novas terras com ninguém. Queriam tudo para si;
  • Reforma agrária – César defendia a melhor distribuição de terras entre os cidadãos romanos. Só a menção dessa ideia desagradava muito os aristocratas;
  • Acúmulo de poderes nas mãos de César, com a consequente queda da influência do Senado e outras instituições políticas – perdendo o poder, naturalmente, os senadores se sentiram ameaçados;
  • Interferência totalitária no Senado – ações que também ameaçavam o poder do Senado: obrigar senadores a aprovarem decretos sem ler, aumentar o Senado de 600 membros para 900 (nomeando inclusive muitos de seus amigos como senadores e até estrangeiros), etc;
  • Motivos Políticos: Várias ações de César seguiam a linha defendida pelos Populares, enquanto partidários dos Optimates se sentiam prejudicados (PT  e PSDB? rs);
  • Muita bajulação em torno da sua figura: O recebimento de muitos honrarias e títulos: senador vitalício, Pater Patriae, etc. Outra ação que desagradou a população e o poder vigente, embora com menor impacto, foi a instituição do calendário Juliano, reformando o calendário anterior, instituindo 365 dias no ano. A treta aqui foi homenagear a si mesmo atribuindo seu nome para designar um dos meses (Julho);
  • Motivos pessoais: Os conspiradores também agiram por inveja e orgulho ferido, pois César sendo clemente, fazia seus ex adversários se sentirem cada vez mais humilhados e com inveja. César, pensando que trazia antigos inimigos para seu lado, sem querer, fomentava o ressentimento dos futuros conspiradores.

 

Por essas e outras, cada vez mais César era odiado e logo a conspiração começou a se formar.

 

 

Idos de Março

Sendo o mais conhecido atentado político da Antiguidade, descrito por Caio Suetônio, a conspiração logo começou a ser formada. Era liderada por Marcus Julius Brutus e Caio Cássio. Contraditoriamente, dois ex-adversários de César, que se tornaram protegidos do mesmo. Brutus era filho adotivo de César. A data escolhida foi no dia 15 de Março de 44 a.C. (chamado de Idos de Março pelos romanos).

Segundo Suetônio, César recebeu vários avisos e “presságios”  que significavam que corria grande perigo. Tais como alertas de adivinhos, os sonhos de sua esposa, entre outros sinais. A verdade é que César deve ter recebido um ou dois avisos, especialmente de adivinhos, mas o restante do que é falado parece ser inventado por causa de superstições da época e para enaltecer a figura de César.

Morte di Giulio Cesare (quadro de Vincenzo Camuccini, 1798)

Morte di Giulio Cesare (quadro de Vincenzo Camuccini, 1798)

 

O assassinato ocorreu durante a sessão no Senado. César iria iniciar a sessão e ouvir as requisições dos senadores. Tílio Cimber apresentou uma petição para que César revogasse o exílio de seu irmão. César disse que outra hora analisaria, mas Cimber o agarrou pelo ombro e puxou sua túnica. Era o sinal para que os outros atacassem. Casca atacou-o com sua adaga, mas César revidou acertando-o com um pedaço de metal que tinha próximo. Os outros senadores se aproximaram e começaram a desferir golpes e punhaladas. César teria deixado de revidar e envolvido sua cabeça com a toga. César teria sido esfaqueado 23 vezes até a morte.

 

 

Revolta Popular

O grupo que assassinou César, auto denonimados como Liberatores, fugiram do local do assassinato. Tentaram justificar o crime alegando que César era um tirano e que fizeram isso afim de restaurar a antiga glória da República Romana.

Negociaram com Marco Antônio uma saída para o problema, de forma que fossem anistiados pelo crime e mantessem seus cargos, mas Antônio inflou mais ainda a fúria popular. Com isso, os líderes da conspiração fugiram para províncias romanas no Oriente. Se sucederam então guerras civis em busca de vingança (aliança de Antônio, Otaviano e Lépido contra os líderes da conspiração) e depois em busca do poder, para ocupar o espaço deixado por César.

César abriu o caminho para que a República se tornasse um império, com a ascenção do seu sobrinho, e esse período marcou o fim da República Romana como era conhecida.

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Curiosidades

  • Júlio César foi sequestrado por piratas: Quando seus captores estipularam o valor do resgate por sua libertação, César se sentiu ofendido pela quantia ser muito baixa e insistiu que uma soma maior fosse exigida. Trinta e oito dias depois, o resgate chegou e César foi libertado depois de um cativeiro confortável, onde fez amizade com alguns dos captores. De regresso à liberdade, César organizou uma força naval, capturou o refúgio dos piratas e ordenou a crucificação de todos eles.
  • Júlio César teve um filho com Cleópatra: Durante a sua estadia no Egito, César envolveu-se romanticamente com Cleópatra e dessa relação nasceu um menino. A criança se chamava Cesário. Mais tarde, depois da morte de César, com a ascenção de seu sobrinho Otávio, Otávio decidiu mandar matar Cesário para que se mantesse como o único e legítimo herdeiro de César.
  • Júlio César é o pai do ano bissexto: Conforme dissemos aqui, César instituiu o calendário juliano, e com ele veio o ano de 365 dias. Para que ocorresse o ajuste das horas que sobravam, César propôs adicionar 1 dia a cada 4 anos, afim de resolver o problema.

 

 

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Autor: Diego Queres

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