Os samaritanos

De acordo com as Escrituras Antigas, doze tribos constituíram Israel. Entre essas tribos havia um clima de hostilidade e inimizade. Foi o soberano Saul que tratou de uni-las, ainda em 1000 a.C. Os líderes que se seguiram foram Davi e Salomão. Quando esse último enfim faleceu houve novamente uma separação desses povos.

Assim, as populações que se radicaram no norte intitularam-se como reino de Samaria, já que na época essa seria a cidade apontada como capital de Israel. O povo do Sul, por sua vez, denominava as suas terras como domínios de Judá.

Em 722 a.C., o reino do Norte caiu nas mãos do Império Assírio. De acordo com as escrituras, em 2Reis 17, os assírios mandaram ocupar o território de Israel com povos de outras nações, que eram pagãos. Então os samaritanos sofreram um grau de miscigenação, ainda que em parte.

Em 128 a.C., o sumo sacerdote e governante judaico João Hircano destruiu o santuário de Samaria no monte Gerizim. Isto serviu para aumentar a tensão entre judeus e samaritanos. Outros conflitos se sucederam no século I.

Essa rivalidade e repulsa se seguia ao longo das eras e continua existindo até hoje, ao menos no posicionamento dos judeus mais ortodoxos, que não veem os samaritanos como judeus de verdade, mas sim como filhos de estrangeiros. O governo local não se apega a essas crenças e trata todos como cidadãos de Israel, sem nenhuma distinção.

A Palestina no tempo de Jesus

A Palestina no tempo de Jesus

 

De acordo com a Bíblia, durante a passagem de Jesus pela Terra os samaritanos buscaram se isolar, afastando-se de Jerusalém. Assim eles criaram o próprio templo e as próprias regras, fazendo modificações que acharam necessárias às Escrituras Sagradas. De todos os textos do Torá eles só aceitam o PentateucoOs primeiros 5 livros da Bíblia (atribuídos a Moisés): Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio, no qual está a Lei de Moisés, o que os faz ser conhecidos como “os observantes”.

Seguindo a mesma ideia dos judeus ortodoxos eles não se sentem parte da sociedade judaica, se denominando como um povo “israelita-samaritano”. Além disso, se veem como os herdeiros reais de Israel, descendendo dos clãs de Efraim e Mossanés, que descenderiam de José, pai de Jesus. Para os historiadores, vale dizer, esse ponto de vista procede.

Os samaritanos estão hoje em Holon, cidade localizada em Israel e em Nablus, cidade situada na Cisjordânia. Eles não têm rabinos e rejeitam o Talmud, tão cultuado pelos judeus mais ortodoxos. A língua deles é o hebraico moderno, mas eles também falam o árabe que é utilizado pelos palestinos. Nos rituais eles optam por utilizar um hebraico próprio, desenvolvido por eles mesmos. Restam em todo mundo apenas 700 deles.

A Samaria foi destruída e reerguida inúmeras vezes, ainda no Império Romano. A região já foi inclusive apontada como uma das quatro que constituiriam o Estado da Palestina. Para os judeus mais ortodoxos os samaritanos eram (e ainda são) hereges, o que faz com que tenham sido e sejam humilhados, perseguidos e caluniados. É curioso notar que apesar das enormes discordâncias, tantos aqueles que vem de Israel quanto os que vem de Judá alimentam crenças que possuem a mesma origem.

Se os judeus já são bastante fechados e intolerantes a outras culturas de modo geral, os samaritanos o são ainda mais. Não é por acaso que a tendência é que esse povo infelizmente venha a se extinguir com o passar dos anos, já que não aceitam novos convertidos, tão pouco casam foram de seu próprio círculo. É de fato uma pena que isso ocorra, pois trata-se de um povo que dentro da própria história guarda muito da matéria da qual todos nós fomos feitos.

 

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Autor: Andressa Faria de Almeida

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