Marcha para o Oeste

O Brasil é o 5º maior país do mundo em extensão territorial. As suas dimensões são inquestionavelmente gigantescas. Ao mesmo tempo em que isso é motivo de orgulho e nos dá muitas vantagens, também nos confere certos prejuízos.

Na década de 30, o país só parecia só crescer em suas extremidades e no seu litoral, mas não no seu centro. Isso passou a ser um motivo de preocupação e aos poucos algumas atitudes para resolver de vez a questão passaram a ser tomadas.

 

Capa: Marcha para o Oeste

Cena do filme “Xingú”, de 2011, exibindo o contato dos exploradores com os índios da Amazônia.

 

O Brasil Central

O chamado “miolo” do território brasileiro era muito pouco conhecido e procurado pela maior parte dos nossos cidadãos. A localidade acabava ganhando ares místicos, além de se propagarem muitas lendas e mitos a respeito do lugar, já que a área era vista como hostil, especialmente por ter sido muito pouco desbravada.

Por esse motivo a região acabou se tornando alvo de políticas mercantilistas bastante coloniais, sofrendo por muito tempo invariavelmente com a ausência de uma infraestrutura adequada. A área também demorou a se livrar dos dogmas típicos da República Velha muito depois dela acabar no resto do país, como o liberalismo econômico, por exemplo.

Muitas empresas passaram a buscar essas áreas com o intuito de instalar sedes semelhantes às que mantinham nas grandes capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo. Muitas loteavam a terra da forma como bem entendiam, oferecendo-as para os diversos imigrantes que fugiam dos terrores da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. Esses mesmos fugitivos também acabavam empregados por essas indústrias, tudo isso sem a anuência do governo.

 

 

A Marcha

O projeto da “Marcha para o Oeste” foi lançado por Getúlio Vargas nas vésperas de 1938, em pleno Estado Novo, e era anunciada como uma excelente solução para muitos dos problemas que a nação enfrentava.

Talvez a maior motivação para esse ideário era preparar o terreno para ocupar a Amazônia, em um futuro que pretendia ser próximo. Desse modo instalaram inicialmente em Goiás uma colônia agrícola, localizada na cidade de Ceres, no ano de 1941. Ela se chamava Colônia Agrícola Nacional de Goiás.

Propaganda do Estado Novo

Propaganda do Estado Novo

Os demais objetivos para esse projeto eram:

  • Uma política demográfica que buscava incentivar a migração;
  • A criação de diversas colônias agrícolas;
  • A construção de muitas estradas;
  • Aumentar a exploração da borracha na Amazônia;
  • A reforma agrária;
  • O incentivo à agricultura e a pecuária, especialmente para a própria sobrevivência;

 

 

Borracha brasileira

Uma motivação forte para a Marcha foi ampliar a exploração dos seringais na região da Amazônia. Por volta da década de 40, a borracha brasileira têm a chance de um grande impulso com a Segunda Guerra Mundial. O motivo é que os países aliados perdem acesso ao produto asiático. E a borracha do Brasil entra novamente na rota do comércio mundial.

Propaganda do Estado Novo incentivando a exploração de seringais na Amazônia.

Propaganda do Estado Novo
incentivando a exploração de seringais
na Amazônia.

Os EUA nesta época se encontrava em plena expansão e tinham especial interesse na borracha brasileira. O governo brasileiro firma um acordo com os americanos: eles investem no Brasil e o governo brasileiro se encarrega de aumentar a mão-de-obra para os seringais da Amazônia.

O esforço do governo Vargas para atrair trabalhadores surte efeitos. Nas principais capitais do país, especialmente no Nordeste, são instalados postos de recrutamento. O suíço Jean-Pierre Chabloz é contratado para criar uma campanha chamando os brasileiros à Amazônia, que passa a ser conhecida como o “Novo Eldorado”.

 

As repercussões

O sonho progressista de Getúlio Vargas acabou atingindo o êxito, mais de 40 anos depois de seu início. A partir da Marcha para o Oeste foram fundadas 43 vilas, além de terem sido construídos 19 campos para pouso. Mais: mais de 5 mil índios foram empregados em obras de infraestrutura, que construíram 1,5 mil quilômetros de estradas e de rios.

Entretanto, houve um porém: o ciclo de riqueza decorrente da borracha dura pouco. Terminada a guerra, os Estados Unidos suspendem os investimentos, e a Amazônia volta a sofrer com a decadência econômica.

Xingu_(filme)

Recomendação de Filme

Xingu é um filme brasileiro de 2011 dirigido por Cao Hamburger e roteirizado por ele, Elena Soárez e Anna Muylaert. Estrelado por João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat, o filme conta a trajetória dos irmãos Villas-Bôas a partir do momento em que se alistam para a Expedição Roncador-Xingu, parte da Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas, em 1943.

A produção do filme foi iniciada após o pedido da família Villas-Bôas a Fernando Meirelles, que indicou Cao para a direção do filme. O diretor aceitou a proposta, pois se interessou pelo assunto e por não entender como essa história foi pouco divulgada. A maior parte das filmagens ocorreram no Tocantins e no parque Indígena do Xingu, durante um período de dez meses.

Artigos Relacionados

Ilustrações de personagens (Tiradentes, César, Napoleão e Cabral): Copyright © 2015 História Fácil (http://www.historiafacil.com.br). Todos os direitos reservados. Vide termos de utilização deste site (clique aqui).

Autor: Andressa Faria de Almeida

Copartilhe Este Artigo No