Movimento dos Caifazes

As ideias abolicionistas fervilhavam entre a segunda metade e o final do século XIX e eram cada vez mais alardeadas em meio a população brasileira, mas para alguns o discurso não bastava. Essa era a crença que seguia Antônio Bento de Souza e Castro que o fez liderar o Movimento dos Caifazes.
 

 

Quem foi Antônio Bento?

Antônio Bento de Sousa e Castro, nasceu em 17 de fevereiro de 1843. Foi promotor público, juiz e abolicionista brasileiro.

O jovem era originário de uma família paulistana extremamente abastada. Suas ações e comportamentos eram costumeiramente vistos como excêntricos na época por seus párias.

Antônio Bento

Antônio Bento

 

O modo curioso de ser e de viver atraia muitos comentários e olhares.

O escritor Raul Pompéia escreveu sobre ele:

“Magro, estreitado, do tornozelo à orelha, no longo capote preto como num tubo, chapéu alto, cabeça inclinada, mãos nos bolsos, quebrando contra o peito pela fenda da gola o rijo cavaignac de arame, o olhar disfarçado nos óculos azuis como uma lâmina no estojo, marcha retilínea de passo igual tirado sobre articulações metálicas”

Além de se portar de forma muito diferente dos demais burgueses paulistanos Antônio Bento também apresentava mais um comportamento bastante subversivo para aquela época: era prática comum dele e de seus comparsas o roubo de escravos.

 

 

Caifazes

Mas afinal, o que eles faziam com esses escravos roubados e porque fazer essas ações altamente perigosas?

Bem, a ideia era simples: os escravos roubados eram enviados para o quilombo do Jabaquara, localizado na cidade de santos, onde vários negros fugidos se abrigavam e se ajudavam. Em seguida os “sequestrados” a província cearense, onde a igualdade entre as diferenças raças já havia sido decretada.

Para poder levar o plano em frente, muitas vezes, os negros roubados foram acomodados na casa de Antônio Bento e na de seus parceiros, o que era extremamente arriscado naqueles tempos.

Fuga de escravos, óleo sobre tela por François Auguste Biard (1859)

Fuga de escravos, óleo sobre tela por François Auguste Biard (1859)

 
Pouco tempo depois de terem sido iniciadas essas intervenções, a Lei Áurea foi decretada, o que enfim deu aos negros escravizados a tão sonhada liberdade. Esse fato, no entanto, não diminui a importância do movimento do paulistano, já que se tratavam de ações abolicionistas tão efetivas que até mesmo um político da época chamado Afonso de Freiras afirmou que se aquilo continuasse em dez anos “não haveriam mais escravos em São Paulo”.

 

 

O significado

O nome “caifazes” foi inspirado em uma passagem bíblia disposta no evangelho de São João, onde se apresenta um personagem chamado Caifás, um homem capaz de trair motivados por causas extremamente nobres.

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Autor: Andressa Faria de Almeida

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