Crise dos Mísseis de 1962

O lançamento das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki não causou apenas a rendição do Japão durante a Segunda Guerra Mundial, mas também serviu para mostrar ao globo quem é que dava as cartas da vez. No caso os donos da bola eram os Estados Unidos, mas a União Soviética dividia com essa potência os louros do encerramento do embate e também a mesma força armamentística e política, o que culminou na Crise dos Mísseis, em 1962.

Estados Unidos e União Soviética eram integrantes das tropas Aliadas, que conseguiram vencer a Segunda Guerra Mundial. Apesar de terem sido parceiros para derrotarem a Alemanha nazista, a Itália fascistas e o império do Japão as duas nações tinham crenças ideológicas e políticas muito distintas, o que acabou colocando-os como adversários no embate subsequente ao qual eles se deram as mãos, conhecido como Guerra Fria.

Sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU em 25 de outubro de 1965

Sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU em 25 de outubro de 1965

 

O termo “guerra fria” se deve ao fato de que nunca houve um confronto declarado entre ambos, mas sabia-se que isso podia acontecer a qualquer momento. Os americanos capitalistas e os soviéticos comunistas se odiavam e ambos contavam com um arrasador poder de fogo, caso quisessem chegar às vias de fato. Se recordarmos a tragédia ocorrida nas duas cidades japonesas dá para entender o medo que o resto do mundo tinha de que isso acontecesse.

Em 1962 houve a possibilidade real de que isso acontecesse. Tudo começou porque um ano antes os Estados Unidos instalaram mísseis nucleares na Turquia, algo que foi visto pelos soviéticos como uma afronta, considerando-se a proximidade entre os dois territórios. Não satisfeitos, os americanos ainda tentaram invadir Cuba, eterna aliada do regime comunista da União Soviética, o que só fez aumentar o desagrado.

 


 

Em 14 de Outubro de 1962 foram divulgadas fotos pelos Estados Unidos de instalações preparadas para receberem mísseis nucleares, em Cuba. John Kennedy, então presidente, tratou logo de comunicar a população do risco iminente de ataque e demonstrou compreender aquele gesto como um ato de guerra. Do outro lado do Atlântico, o Primeiro Ministro Soviético Nikita Kruschev afirmou que era apenas uma ação defensiva, em resposta a colocada dos mísseis na Turquia e a invasão anterior a Cuba.

O que veio a seguir foram treze dias de temor, ansiedade e suspense. Em ambos os lados do conflito havia o medo de que a pólvora enfim estourasse e o embate começasse, para valer. Não demorou para que as populações desses países começassem a construir abrigos nucleares e estocassem mantimentos, temendo pelo pior. As negociações foram tensas e demoradas, mas enfim em 28 de Outubro daquele ano, Nikita convenceu os americanos a retirarem os mísseis da Turquia, fazendo o mesmo em Cuba.

A situação complexa e difícil levou os Estados Unidos, a União Soviética e a Grã-Bretanha a assinarem em 1963 um acordo proibindo o teste de armas nucleares na atmosfera, no alto-mar e também no espaço. Cinco anos depois a medida foi abraçada por mais de 60 países, no que ficou conhecido como Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.

Vídeo deste artigo (clique aqui)

Artigos Relacionados

Ilustrações de personagens (Tiradentes, César, Napoleão e Cabral): Copyright © 2015 História Fácil (http://www.historiafacil.com.br). Todos os direitos reservados. Vide termos de utilização deste site (clique aqui).

Autor: Andressa Faria de Almeida

Copartilhe Este Artigo No