Guerra das Malvinas

A maior parte dos conflitos armados da nossa história contemporânea estão relacionados a disputa imperialista por territórios, sejam eles para produção, para consumo ou simplesmente para manutenção de poder. No caso das ilhas Malvinas (como é reconhecida pelos argentinos e por boa parte dos latinos americanos) não foi diferente, mas há nesse caso uma inquestionável ação desesperada de um regime ditatorial em plena Guerra Fria, desesperado por se afirmar em meio a própria derrocada.

Apresentamos nesse artigo uma das guerras mais desnecessárias e fúteis da história.

 

 

Um pouco de história e de geografia

Em 1882 a Argentina se tornou um país independente, depois de muitas guerras e revoluções com esse intento. Quando ainda respondiam por Províncias Unidas do Rio da Prata, tentaram desembarcaram com a pequena fragata Heroína nas Malvinas, reivindicando a soberania do local baseados na proximidade com o próprio território.

É indiscutível que entre todos os envolvidos nessa disputa a Argentina é quem está mais próxima, em termos espaciais. A distância entre uma costa e outra é de menos de 500 quilômetros. Isso não foi relevante para o Reino Unido, que ignorando as tentativas da Argentina para colonizar o pequeno arquipélago instalaram ali uma colônia própria em 1833, considerando o local uma parada estratégica para as navegações de sua marinha pelo Cabo Horn.

Capa de revista falando da invasão argentina

Capa de revista falando da invasão argentina

Essa situação nunca foi bem aceita pelos argentinos, que consideraram que as Falklands (como os britânicos denominam as ilhas) lhes foram usurpadas de forma humilhante e cruel. Além disso, a presença de uma potência imperialista do continente europeu em meio aos mares sul americanos nunca foi bem vista pelos países vizinhos, o que sempre fez com que houvessem tentativas para se negociar a soberania do território, todas recusadas pelos ingleses.

 

 

O conflito

Para barrar qualquer negociação diplomática a respeito das ilhas os britânicos sempre se basearam na vontade dos cidadãos da ilha, que em sua esmagadora maioria sempre demonstraram preferir a soberania do Reino Unido. Essa postura acirrou a animosidade entre as duas nações a partir da segunda metade do século XX.

A partir de 1976 a Argentina passou a viver sob um regime ditatorial militar, com forte viés nacionalista. Inevitavelmente as Malvinas voltaram a ser pauta de discussão. No começo da década de 80, os ditadores já não satisfaziam tanto ao povo argentino, que viviam um clima conturbado com a instabilidade econômica que o país começou a enfrentar.

A saída encontrada para a sobrevivência da Junta Militar no poder, foi apelar para o nacionalismo, reacendendo o discurso pela soberania argentina nas ilhas. A Junta Militar acreditava que a Grã-Bretanha não se arriscaria a uma guerra por pequenas ilhas tão distantes. Acreditavam no apoio dos Estados Unidos (baseados no TIAR, um tratado de cooperação dos EUA com os países latino-americanos, que visava evitar a expansão do comunismo na América Latina).

 

Caças argentinos sobrevoam as Malvinas

Caças argentinos sobrevoam as Malvinas

 

Essa impopularidade crescente aliada a crença de que os Estados Unidos interviriam ao seu favor, ou que a Inglaterra cederia em uma futura negociação diplomática em meio a uma eminente guerra fizeram com que em 2 de Abril de 1982, as tropas argentinas invadissem a ilha, sob a ordem do general e ditador Leopoldo Galtieri, então chefe do Estado argentino.

A força britânica na região era pequena e com isso a capital do arquipélago, Stanley, é tomada. Em seguida outra ilha do Atlântico Sul seria invadida, dessa vez a South George, também controlada pelos britânicos originalmente.

A reação dos súditos de Elizabeth II veio de forma rápida e cortante e para a surpresa dos argentinos contando com o grato apoio dos Estados Unidos. No final de Abril do mesmo ano cerca de 28 mil soldados desembarcaram de 100 navios, com o pretexto de proteger seus habitantes.

A primeira-ministra britânica Margareth Thatcher colocou aquela guerra como prioridade, pois tratava-se da proteção da “tradição e reserva do Reino Unido”. Os 12 mil soldados argentinos em seus 40 navios em péssimo estado de conservação não foram páreos para a investida, que durou somente 74 dias, seguida pela rendição total dos nossos “hermanos”.

649 argentinos morreram, enquanto os britânicos tiveram 258 baixas. Os militares argentinos que viam no embate a chance de recuperar a confiança da nação em seu regime se depararam com uma crise ainda maior deflagrada, sendo obrigados a largar o poder em prol do governo civil, em Outubro de 1983.

Já Margareth Thatcher teve nessa conquista o respaldo que faltava para a sua reeleição, o que levou ela e seu Partido Conservador a vitória nas urnas ainda em 1982.

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Autor: Andressa Faria de Almeida

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