Operação Valquíria

Quando falamos de Segunda Guerra Mundial voltando o nosso foco para a Alemanha, costumamos pensar que todo o seu povo naquele momento estava de acordo com as práticas e com os dogmas perpetuados por Hitler e pelo Partido Nazista.

A verdade é que houveram muitos civis que resistiram, mas o mais surpreendente e impressionante é que dentro do exército alemão haviam desertores dispostos inclusive a assassinar o Führer, por acreditarem que essa era a única forma de parar de vez com a escalada de terror causada pelos germânicos desde 1938.

 

 

A conspiração

A ideia era matar Hitler, para em seguida instaurar um golpe de Estado, comandado por opositores do regime. A maior motivação para a realização dessa trama era o fato de que o Exército Vermelho da União Soviética já tinha chegado ao solo alemão, enquanto os oponentes anglo-saxões desembarcavam na Normandia.

Após o assassinato do Führer e a retomada da Alemanha os conspiradores pretendiam restaurar a monarquia, regime que se estabeleceu para os germânicos até o final da Primeira Guerra Mundial. Os moldes seriam de ditadura conservadora, que pretendia se aproximar dos ingleses e americanos, mas manter-se afastada dos russos.

 

 

Os conspiradores

Não haviam desconhecidos entre aqueles que pretendiam assassinar Hitler e dar um outro rumo para o Estado alemão. Oficiais de altíssimo escalão como Ludwig Beck estavam envolvidos, assim como o general Hans Speidel, então chefe do Estado-Maior.

Quem não estava trabalhando diretamente para o golpe sabia do fato, mas escondia. Erwin Rommel, por exemplo, era um famoso marechal do regime nazista que tinha conhecimento desses planos, mas se omitiu enquanto pode.

No entanto, entre todos os conspiradores o mais atuante era Claus von Sttaufenberg, que na época tinha 36 anos e que viu durante os anos em que serviu na União Soviética o quanto a SS poderia ser brutal e cruel.

Sttaufenberg

Claus von Sttaufenberg

 

Sob o comando de Rommel, que anos antes havia perdido um olho e uma mão na África, em Julho de 1944 ele foi nomeado chefe do Estado-Maior. Posição através da qual ele teve os meios para levar à frente o seu plano de matar o Führer.

Mesmo assim, por duas vezes a operação Valquíria teve que ser adiada. Porque a intenção era pegar, além de Adolf Hitler, também Heinrich Himmler (comandante militar da SS) e Hermann Göring (comandante-chefe da Luftwaffe). E estava cada vez mais difícil reuni-los.

 

 

O atentado

Sendo chefe do Estado-Maior da reserva, Sttaufenberg tinha passe livre para participar das reuniões que ocorriam no Covil do Lobo, como era conhecida a casamata do Führer, localizada na Prússia Oriental.

Os conspiradores elegeram então 20 de Julho de 1944 como a data ideal para que o atentado ocorresse, já que Mussolini visitaria o local e também se reuniria com Hitler. As reuniões que normalmente ocorriam em um bunker de concreto da propriedade iriam acontecer naquele dia em um chalé de madeira. A ideia era começar o evento às 13:00, mas ele acabou sendo antecipado para 12:30.

Quando viu um momento propício para o feito Sttaufenberg colocou uma pasta cheia de explosivos debaixo da mesa, aonde eles se sentariam para conversar. Esperou que todos entrassem, se sentassem e saiu, com a desculpa de que precisava fazer uma ligação urgente.

A pasta que estava sob a mesa começou a incomodar os militares, que acabaram colocando-a atrás de seu pé, que era um suntuoso pedaço de carvalho.

A explosão inevitavelmente ocorre e seu estrago visual foi tão grande que Sttaufenberg teve certeza de que todos os presentes estavam mortos. Sem checar resolveu correr para Berlim, afim de ter a chance de participar do golpe que estava certo que ocorreria em algumas horas.

Atentado contra Adolf Hitler

Atentado contra Adolf Hitler

 

O fato é que a maioria dos que estavam naquela sala morreram ou foram gravemente feridos, mas Hitler e o general Keitel que estava ao seu lado sofreram apenas alguns ferimentos leves, devido a modificação da localização da pasta, antes da explosão.

 

 

A resolução do atentado e suas repercussões

Quando Sttaufenberg chegou ao aeroporto não tardou em telefonar para os demais conspiradores, confiando que o levante já havia sido desencadeado. O que ocorre, no entanto, o surpreende negativamente: três horas após o atentado nada havia acontecido ainda na capital, pois ainda era incerto o destino do Führer.

A notícia rapidamente se espalha, acabando de vez com todo o furor conspiratório: Hitler havia sido vítima de um atentado, mas por sorte sobrevivera. Às 18:30 esse anúncio é feito na rádio em escala internacional, o que faz com que os generais subversivos que estavam em Praga e em Viena desistam do apoio ao golpe.

Heinrich Himmler, ministro do Interior do regime, não tarda em ordenar a prisão do comando do exército do interior. Stauffenberg e outros chefes da conspiração são logo executados. É dada ao General Beck, devido ao seu prestígio, a opção de suicidar-se, o que ele cumpre.

A 01:00 do dia 21 de Julho de 1944 Hitler fez um discurso avisando que estava bem e que aqueles que haviam conspirado contra ele seriam caçados e punidos. A promessa é levada até às últimas consequências, com a prisão de Wilhelm Canaris (ex-chefe do serviço de inteligência do regime nazista) no campo de concentração de Flössenburg, sendo enforcado com uma corda de piano em 9 de Abril de 1945.

Em 14 de Outubro de 1944, Erwin Rommel também é impelido ao suicídio, como acontecera com o General Beck. Graças ao seu alto posto Hitler concede a ele honras militares durante seu funeral.

Nos meses seguintes a Gestapo prendeu mais de 7000 suspeitos, executando em torno de 5000 que participaram da conspiração ou tinham relações com os conspiradores. Essa tentativa de golpe tardia acabou se provando ineficaz, pois a honra alemã não foi lavada a tempo e infelizmente Hitler seguiu inabalável em sua ambição, até ser inevitavelmente derrotado em meados de 1945.

 

 

Para saber mais

Resumo do artigo

Imagens sobre o filme Valkyrie pertencem a MGM produções. Todos os direitos reservados.

Filme recomendado: Operação Valquíria

A melhor referência cinematográfica é o famoso filme homônimo: Operação Valquíria. Claus von Stauffenberg (Tom Cruise) é um coronel que retorna à Alemanha gravemente ferido, devido à guerra na África. Ao chegar ele se envolve em uma conspiração para acabar com o governo local, que tem por objetivo matar Adolph Hitler (David Bamber). O objetivo do grupo é pôr em prática a Operação Valquíria, um plano já existente que prevê a implementação de um governo que conduza a Alemanha após a morte de seu líder. Aos poucos o coronel Claus ganha destaque na organização, sendo encarregado para que cometa o assassinato de Hitler.

 

 

Filme Operação Valquíria (Valkyrie): ©MGM produções. Todos os direitos reservados.

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Autor: Andressa Faria de Almeida

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  • Vitor

    Alguma dica de como achar mais conteúdo sobre o assunto?

  • Oi Vitor, boa tarde!

    Eu recomendo que você assista ao filme. É uma ótima fonte sobre esse assunto.
    Mais informações você encontrará em livros mesmo. Seguem alguns títulos que você pode pesquisar:

    • Jesús Hernández – Operação Valkíria – Todos os Detalhes Por Trás da Verdadeira História que Inspirou o Filme, Novo Século.
    • Philipp Freiherr von Boeselager – Operação Valquíria (Wir Wollten Hitler Töten), Editora Record, 2009
    • Paul, Berben – O Atentado contra Hitler. Coleção Blitzkrieg, Nova Fronteira, 1962

    Abraços e boa sorte em suas pesquisas!